segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

No meio de tudo, você


No meio do meu caos interno
Seu jeito de ultrapassar meus muros
No meio do meu isolamento
Sua preocupação comigo
No meio das turbulências diárias
Você me fazendo rir
No meio dos meus anseios
Você me trazendo paz
No meio do barulho da cidade
Sua voz que me acalma
No meio da multidão
Seu rosto, que se distingue
No meio do turbilhão
Seu abraço acolhedor
No meio da escuridão
Você, anjo protetor
No meio de tanta gente
Você me entendendo tão bem
No meio da tarde chuvosa
Seus beijos inesquecíveis
No meio das minhas crises
Sua compreensão
No meio da noite fria
Você se fazendo abrigo
No meio das ilusões
Nossa verdade
No meio da madrugada
Você nos meus sonhos
No meio de todos os meus dias
Você deixando saudade
E no meio da saudade
Sua lembrança é refúgio
No meio de tudo, você
Me salvando às vezes de mim mesma
No meio de tudo, nós
A sós
E o mundo é lindo outra vez.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Razões


Tive os meus motivos
Você teve os seus
Não havia outra saída
Além do adeus.
Eu ainda me questiono
Qual foi a razão
Se houve algum propósito
Pro sim e pro não
Tantas circunstâncias,
Só contradição
E você que nunca engana
Minha intuição
Mas eu finjo que acredito
E tá tudo bem
Cada um segue sua vida
Faz parte, também
E tudo ficou perdido
Sem acontecer
Sonhos que dormem e despertam
A cada amanhecer
O medo falou mais alto
A voz da razão
Perde-se ao não ouvir
O que diz o coração.
Mas a gente segue em frente
Que se há de fazer?
Outros amores virão
Como deve ser
Se algum dia houver
Uma explicação
Que seja nessa vida
Ou em outra, então
O tempo haverá passado
Não vai importar
Mas a resposta exata
Um dia virá
Nesse dia enfim
Hei de compreender
Que a vida é feita disso:
Saber esquecer.
Que o que não vingou
Se deixa ruir
Pra que o novo chegue
E possa fluir.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Biografia



Já escrevi  verso bonito
Pra tanta gente vazia
Como quem é poesia
Para quem não sabe ler.

Já escrevi livros e histórias
Já sonhei noites inteiras
Imaginei uma vida
Quis fazer acontecer

Vivi com intensidade
Coisas unilaterais
Dediquei meus sentimentos
A pessoas tão banais.

Já chorei, interpretei
Fui atriz, fui poetisa
Fui como uma tempestade
Pra quem não era nem brisa.

Hoje, finalmente vejo
Nessa vida, fui inteira
Me entreguei de corpo e alma
Assim, da minha maneira.

Hoje, me acolho e me acalmo
Consciente da verdade
Porque nunca foi fraqueza
E sim sensibilidade.

Sou inteira, sou intensa
Me respeito e compreendo.
Vivi, não só passei pela vida
E disso, não me arrependo.

Sentir é coisa de alma
É coisa pra se orgulhar
Pois se há coragem na vida
É a coragem de amar.


sábado, 1 de outubro de 2016

Protesto


Não sirvo pra passatempos
Nem pra romances secretos,
Eu não sei brincar de amar.
Não vim pra praia da vida
Pra ficar na beiradinha:
Eu gosto é de mergulhar.

Não tenho tempo pra jogos
Pra essas efemeridades
Essa falta de emoção.
Gosto de profundidade
Gosto do que é de verdade
Do que é de coração.

Não tenho interesse algum
Em coisas ocasionais
Paixõezinhas passageiras.
Gosto do que me transborda
Dispenso quaisquer migalhas
Eu nasci pra ser inteira.

E se a verdade incomoda
Paciência, mas tô fora
Do que não me acrescenta
Nunca fui de seguir modas
Silêncios, bastam os meus
Então, por favor, não inventa.

Sou de alma, sou de essência
Eu nasci pra ser intensa
Pra ser feliz de verdade
Que seja num simples "oi"
O meu coração só fica
Onde há reciprocidade.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Permissão


Que nossos corações voem
Com coragem e suavidade
Porque um momento é tudo que temos
Porque o hoje é a única certeza.
O amanhã pode ser nada,
Resultado do medo.
Mas o agora pode florir
Se assim se permitir.
Que nossos corações floresçam
Alegres, como borboletas no estômago
Que brincam como crianças
Que pulam na cama e bagunçam o quarto.
Que nossa alma sorria, e brilhe
Como quando recebemos uma notícia muito boa
Como quando aquele beijo, tão sonhado, acontece.
Como quando as palavras fogem, porque são limitadas demais
Para expressar a alegria e o prazer
De um coração que se permite.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Sete Vidas



Há uns bons anos, nasci.
Um dia desses renasci.
E ainda ontem, já nasci outra.
Perdi a conta das vezes
Em que senti nascendo de novo.
Mas hoje,
Hoje eu quero mais do que apenas nascer
Ou renascer;
Hoje estou cortando o cordão
Com tudo que me limitou até aqui
Com tudo o que tem me distanciado
Do que eu realmente vim fazer aqui.
Hoje quero viver
Mais do que ontem
Mais do que tenho vivido
Mais do que todos esses anos
Por sete vidas ou mais
Desenvolver minhas asas
Aprender a voar
Transcender.
Não importa quantas vezes eu caia
E comece de novo
Das tentativas anteriores
Também foram feitas as vidas
Todas essas que vivi
E nenhuma foi perdida.
Caí solta no mundo há 32 anos atrás
E caio solta na vida, essa e tantas outras mais
Queda livre? Melhor ainda:

VOO LIVRE!

domingo, 13 de setembro de 2015

Meu amor por ti


Dormir com o barulho da chuva
Chocolate quente
Acordar de madrugada e ter mais horas pra dormir
Cheirinho de café
Cama quentinha:

Meu amor por ti.

Sol que aquece no inverno
Perfume que fica no ar
Banho de chuva
Filme favorito
Chá com biscoito
Doces da infância:

Meu amor por ti.

Dias com sol
Cerveja gelada
Ver o mar
Deitar no gramado
Desenhos de nuvens:

Meu amor por ti.

Momentos que marcam
Viagem dos sonhos
Sonho bonito
Realidade melhor ainda
Tudo que há de bom
Compactado no peito:

Meu amor por ti.





quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Platônico



Perto e Distante
Real e Imaginário
Sonho do qual se acorda
E se tenta recordar.

Estrela.
Lua.
Luar.

Que se contempla, ao longe
E não se pode alcançar.

Mundos distantes,
Separados.
Outrora entrelaçados
Hoje, são só saudade.

São como duas metades
-quase uma simetria-
dois mundos sem cuidado.
Um para cada lado.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Palavras Invisíveis


Chega um tempo em que as palavras somem.
É quando você se sente cansada.
É quando você já não tem mais forças.
É quando você não sabe mais o que fazer
Talvez porque não haja nada a ser feito.
E você sabe que já tentou demais.
E seus recursos se esgotaram.
E todo esforço parece inútil.
E não há sinal que você possa emitir
Que possa ser entendido onde quer que seja.
Como a mensagem numa garrafa
Que viaja pelos mares
Mas ninguém vai encontrar.
Como um S.O.S na areia
Que ninguém consegue enxergar.
Então você se cansa de esperar
Aquelas cartas que nunca vão chegar.
Você se cansa de tentar.
Você se cansa de acreditar.
Você simplesmente se cansa.
É quando você queria ter algum lugar
Pra ir embora, sem deixar rastros.
É como se quisesse se despir dessa vida
Pra vestir  outra em qualquer lugar.
Seriam as desistências atos de covardia?
Seriam elas assumir uma derrota?
Ou seriam o mais sensato?
Um ato de coragem
Diante das decisões que imploram para ser tomadas,
Diante da inutilidade de andar em círculos?
O que sei é que gostaria
De voar pra tão longe
Que somente quem se importasse
Fosse capaz de chegar
E me encontrar.
E me alcançar.
E me acolher.
Me fazer acreditar
Que ainda existem respostas
Pra se buscar.
Que ainda existe uma causa
Pela qual lutar.
Que ainda existe um caminho
Pros meus pés cansados.
Que ainda existe uma cura
Pras minhas asas quebradas.

domingo, 17 de agosto de 2014

(...)


Hoje quando cheguei em casa
Eu quis me livrar do peso da minha máscara
Que eu não uso por maldade,
Mas só pra me proteger
Das dores, dos danos, companhias antigas
Que há algum tempo mandei embora,
Expulsei da minha vida.
Porém recordei-me
Que eles podem achar o caminho de volta
E então decidi mantê-la 
E seu peso suportar.
Sorte de quem vê além,
De quem vê com o coração
E através dela enxergar.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Faça-me um estrago


Faça um estrago.
Me tire do tédio.
Me desestabilize.
Me chacoalhe.
Me surpreenda,
Vida, querida.
Meu coração aventureiro
Não nasceu para o conforto de dias iguais
Pra nenhum sofá em frente à TV
Numa noite dessas em que a lua brilha
E convida ao delírio.
Enlouqueça-me.
Enfureça-me.
Provoque-me.
Seja para mim um turbilhão de tudo
Nesses dias em que não acontece nada.
Já parei pra pensar, já refleti demais.
Agora eu quero mais.
Livra-me do meu conforto
Faça-me saltar do mais alto penhasco
Pois tenho asas e sei voar
Não é no chão que quero ficar.
A inércia adoece
Quando o risco e a loucura
São a única redenção,
A condição para a cura.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Que eu ficaria bem


Que eu estaria bem
Mesmo que me sentisse sozinha.
Que eu ficaria bem
Mesmo que todos me crucificassem.
Que eu permaneceria de pé
Mesmo que meu mundo estivesse desabando.
Que eu me manteria orgulhosa
Mesmo diante do silêncio que angustia.
Que eu permaneceria calma
Mesmo que o inferno se instalasse ao meu redor.
Que eu ficaria feliz
Mesmo que o céu nublasse para sempre.
Que eu não quisesse desejar nada
Mesmo ao ver uma estrela cadente.
Que eu seria compreendida
Mesmo nadando contra a corrente.
Que eu seria lembrada
Mesmo que passasse dez anos ausente.
Que eu não precisasse dizer nada
Mesmo sendo incompreensível.
Que eu permanecesse forte
Mesmo que estivesse aos pedaços.
Que eu me manteria indiferente
Mesmo que o amor decidisse renascer.
Que eu ficaria em paz
Mesmo me lembrando de você.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Estrela Cadente


Essa menina que vive no mundo da lua
Não sabe que as estrelas mentem para ela
Ela vê vidro e enxerga cristais
Quando olha pela janela.
Sonha acordada dias inteiros
Com  a estrela cadente no olhar de alguém.
Faz pedidos, alimenta desejos
Com uma esperança quase infantil
-Essa, que só ela tem.
Menina, te acalma e acorda
Que isso que brilha lá fora
Não é a cor dos cabelos de alguém.
É somente o sol que anuncia
O início de um novo dia,
Que a realidade te espera.
Portanto, desça das nuvens
Porque a vida te precisa
Com os pés firmes na Terra.
Volta do mundo da lua
Que aquela estrela cadente
No olhar um dia presente
Já passou, já passou, se foi
Sem realizar desejos,
Efêmera, como sempre.


sexta-feira, 14 de março de 2014

Lua Breve



Tens o mistério das noites de inverno
Que se escondem atrás das nuvens.
Tens no olhar uma Lua bonita
Tímida Lua que não me deixa alcançá-la.
Tens o brilho de uma estrela cadente
Que, fugaz, me encanta e se vai.
Vez ou outra retorna, reluzente
Fazendo-me fechar os olhos 
E desejar contemplar  novamente
Essa Lua no teu olhar.
Doce e misteriosa canção
Soando como o canto de um pássaro
Que pousa na minha janela 
E depois vai embora, voa
Pra longe, longe daqui
Deixando na memória um canto
De saudade e encantamento
E um desejo obstinado:
 Esse de voltar no tempo.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Passagem



Acabaram-se as festas
Apagaram-se as luzes
Cessou a embriaguez
Foram-se os sorrisos
Agora estamos sós,
A sós
Agora somos só eu e ela.
Olho pela janela
Tanto faz um céu cinzento
Ou o sol, ou tempestade
Nada parece importar
Resta o tédio,
O silêncio.
Velhas dúvidas
E uma só pergunta:
Por quê?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A doce liberdade do adeus


Livre!
É reconfortante a sensação de leveza
Deixada pela ausência
Quem diria!
O que um dia me causou aborrecimentos
Hoje me trouxe alegria
A alegria de perceber que estou assim:
Livre!
Livre de sentimentos sem futuro
De dores desnecessárias
Dos exageros da mente com seus tolos devaneios
Dos caprichos infantis do coração
Do gasto de energia à toa
Da perda de tempo
Das esperas intermináveis
E tanto faz o silêncio.
Silêncio para mim é a paz, agora
Aquela que perdi outrora
Mas tornei a encontrar.
Talvez devesse agradecer-te
Pelo favor do desaparecimento
Mas prefiro agradecer à minha mente
Pela sabedoria do entendimento.
Ao tempo, por haver me poupado tempo.
Ao coração, por ser cada vez mais uma Fênix.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Ode ao cupido-criança



A paixão é aquela coisa
Cujo sentido não se vê, não se percebe
Tampouco se explica.
Como tudo começou? Por que tudo começou?
Qual foi o anjo malvado
Que essa ideia absurda
No meu ouvido soprou?
E na mente incutiu
Uma teimosia insana
Que o coração aceitou
Feito um fantoche nas mãos
De algum anjo da paixão
Anjo, criança, cupido
Sem piedade, nem juízo
Que estava entediado
E meu coração mirou.
Resolveu brincar comigo
E agora, meu amigo?
Não fuja, corto tuas asas!
Volte e arrume essa bagunça
Trate de limpar teu erro
E depois voe pra longe
Procure outro coração
Que este aqui já se fechou.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Enigma


Chame como quiser:
covardia,
falta de noção,
renunciar à razão.

Faça o que bem entender
Com qualquer informação
Com a sua impressão.

Só não ouse ter certezas
Quando eu também não as tenho.

Não me venha com respostas 
Quando eu não fiz as perguntas.

sábado, 12 de outubro de 2013

Criança



Não devo passar disso:
Uma criança mimada
Distraída
Teimosa
Mal acostumada

[As noites frias que o digam]

O céu nublado é testemunha
Dessa pseudo-tristeza
De quem queria que tudo
Ocorresse do seu jeito

São manias e caprichos
Que já nasceram comigo
É meu pesar, minha sina
É meu defeito

[de fabricação]


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Montanha Russa


Eu estava em paz
E o mundo estava no lugar
Eu achava que tinha controle
A doce ilusão de ter as rédeas
Mas é difícil ser dona
D'um coração inquieto.
Por que não sossega?
Por que não se conforma com a paz de estar só?

Eu queria compreender
O motivo pelo qual
Estar tranquila me incomoda
E a paz não satisfaz.
Seria muito mais fácil
Se a rotina me bastasse
Se o coração se acalmasse
E permanecesse quieto
Sem ser criança teimosa
A procura do perigo.

Seria muito mais simples
Ser comum, se contentar
Ficar quieta, no lugar
Pra lidar melhor comigo.